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Local, em português, de troca de ideias e de experiências, no âmbito da horticultura, jardinagem, cozinha saudável, animais.... Enfim, tudo de bom que faz parte da vida.... Junte-se a nós!

No meu jardim tenho um grande pé de Lúcia-Lima (Aloysia citriodora; Lippia citrodora). Adoro, pelo cheiro e pelo seu valioso chá. Esta planta assume vários nomes. É chamada de Bela-Luísa, Doce-Lima ou Erva-Luísa. Eu por cá chamo Lúcia-Lima! É uma planta medicinal, com origem na América Latina, proveniente de países como o Brasil, Perú, Argentina ou Chile.
Durante o século XVIII, esta planta foi levada para a Europa devido à sua intensa fragrância alimonada. É excelente o aroma da Lúcia-Lima que chegou, também, a Portugal e agora há um pé que se derrama no meu jardim.
Mas esta é, também, uma planta medicinal. A Lúcia-Lima é milagrosa devido às suas propriedades relaxantes e digestivas. A planta tem uma acção sedativa suave e retira o desconforto abdominal após uma refeição mais pesada. Tem um efeito levemente tónico sobre o sistema nervoso e ajuda contra a depressão. As folhas e as partes superiores floridas são, ainda, antiespasmódicas e antipiréticas.
Um chá feito a partir das folhas tem um delicioso sabor a limão refrescante e é utilizado principalmente no tratamento de distúrbios digestivos, tais como flatulência, indigestão e acidez . A erva também é útil como um estimulante para o tratamento de letargia e para tratar constipações. O óleo essencial é usado em aromaterapia no tratamento de problemas nervosos e digestivos e também para acne, furúnculos e cistos.
Se tem um quadradinho de terra onde possa plantar uma Lúcia-Lima, não olhe para trás. Vai ver que não se arrepende...!

A salsa (Petroselinum hortense), que abunda nas nossas hortas, tem efeitos para a saúde que nunca nos passaram pela cabeça... É verdade! A salsa é uma erva aromática, da família das Umbelíferas, originária do Oriente. É uma hortícola rústica, difundida por toda a Europa, e adapta-se a qualquer receita de carne, peixe, ovos e legumes, realçando-lhes o sabor.
Contudo, a salsa é, também, rica em vitamina C e sais minerais, como o magnésio, com vários efeitos na nossa saúde. A saber:
- Importante para combater o stress;
- É um potente diurético - ajuda a atenuar edemas e casos de retenção de líquidos;
- Auxilia no emagrecimento, reduzindo a retenção de líquidos (através do seu chá);
- Resolve perturbações digestivas, como a flatulência e cólicas (utilizando as sementes);
- Atenua picadas de insectos (utilizando as folhas);
- Estimula o ciclo menstrual (o óleo essencial)
- Amacia o cabelo (através do chá).
CHÁ DE SALSA (Como fazer?)
- Lave um molho de salsa e pique-o bem.
- Ferva cerca de meio litro àgua, com a salsa no seu interior, durante cerca de 5 minutos.
- Deixe repousar 10 minutos.
- Deve beber 2x por dia, durante uma semana.
- ATENÇÃO: as mulheres grávidas não devem beber este chá, pois tem propriedades abortivas.
Uma erva aromática que já faz parte da nossa cultura, de todos nós...!

Estamos quase a chegar à época em que os crisântemos começam a despontar. Entre finais de outubro e inicio de novembro, os crisantemos começam a inundar os jardins e os centros de jardinagem... É sinal que se aproxima o dia de Finados. É verdade, em Portugal, os crisantemos estão muito associados à morte, porque, na verdade, é a flor que mais brilha nesta época do ano.... Contudo, esta planta tem um significado muito díspar daquele que lhe damos à primeira vista. Para além de belíssimos, tentaremos saber um pouco mais sobre eles...
Família: Asteraceae
Descrição: Planta herbácea perene ou pequeno arbusto
Um Pouco de História....
Os crisântemos são cultivados na China há, pelo menos 3500 anos. Em 1630, já existiam cerca de 500 cultivares diferentes. No Japão, a cultura desta planta é, também milenar. Na verdade, o selo imperial do Japão é um crisântemo, tal como a monarquia japonesa, apelidada de "Trono de Crisântemo".
Utilizações da Planta:
- Decoração:
Na actualidade, existem várias formas e cores de crisântemos, não se consegue distinguir quais os mais belos. São utilizados. nesta altura, nos cemitérios. Contudo, são também uma flor de corte extremamente bela, capaz de decorar e alegrar os interiores mais soturnos nesta época, muitas vezes, por tal denominados "despedidas de verão".
- Culinária:
As flores amarelas e brancas dos crisântemos são utilizadas, no Oriente, para a confecção de um chá. Essa bebida é denominada "chá de crisântemo". Na Coreia, um vinho de arroz é aromatizado com flores desta planta. As folhas de crisântemo são, também, bastante utilizadas na cozinha chinesa, tal como as flores, que se adicionam a algumas sopas.
- Insecticida:
Um dos componentes desta planta é uma fonte natural de insecticida, atacando o sistema nervoso de todos os insectos. Pode ser, também, utilizado como repelente, em quantidades menores, sendo biodegradável.
- Purificador do Ambiente:
A planta reduz a poluição dentro de ambientes fechados.
Com toda esta informação, acho que podemos olhar esta planta de outra forma que não apenas como uma mera decoradora dos nossos monumentos funerários.... Vou comprar um molho de crisântemos!

Estão a chegar os Santos Populares, e o manjerico é rei nesta quadra. De odor inebriante, esta planta aromática esconde propriedades inigualáveis, quer como tempero, quer como planta medicinal. Vamos saber mais:
MANJERICO - Ocimum minimum L.
Família: Labiatae
Habitats: O seu habitat original é desconhecido.
Planta de caule pubescente, finamente estriado, quadrado, ramoso, verde-claro; folhas ovadas, verde-claras, com cheiro intenso (quando tocadas); flor em fascículos, aromáticas. É anual e as flores são hermafroditas, polinizadas pelas abelhas.
As flores e as folhas podem ser cozinhadas, utilizadas como aromáticas ou como verduras, são essenciais no acompanhamento de pratos com tomate. As folhas são normalmente utilizadas frescas e são óptimas para saladas ou para a confecção de um delicioso chá. As sementes também podem ser consumidas. Adicionadas à agua fazem uma deliciosa bebida famosa na zona mediterrânica, o "sherbet tokhum".
Do ponto de vista medicinal, o manjerico é utilizado no tratamento da flatulência. É também eficaz no tratamento da febre, problemas digestivos, insónia, depressão e exaustão. Externamente, é utilizado no tratamento do acne e infecções cutâneas.
O seu óleo essencial é utilizado na perfumaria e nos dentifricos. É da mesma forma, um bom repelente de mosquitos.
Veja só o que o seu manjerico pode fazer por si. Que o diga Santo António!

Na minha casa não pode faltar umas folhinas de louro para temperar alguns pratos da cozinha tradicional portuguesa. O sabor do louro é tão agradável, especialmente em pratos de carne, que já se tornou imprescindível. Por tal, a minha curiosidade sobre esta planta recrudesceu. Vamos saber um pouco mais sobre ela:
Nome científico: Laurus nobilis - L.
Nome comum: Louro, Loureiro
Família: Lauráceas
O loureiro é chamado "árvore de plena luz", característico do clima mediterrâneo, existe nesta área até à Asia Menor. Teme o frio e não vai além dos 800 m de altitude. Embora pouco exigente quanto ao tipo de solo prefere-os leves e frescos, mas é comum em solos secos e mesmo pedregosos. Propaga-se por semente e rebenta bem pela touça e raízes.Vive cerca de 80 a 100 anos.
É uma planta muito ornamental e aromática. As suas flores também são perfumadas, mas são as folhas que são utilizadas como condimento. Produz uma madeira branco-rosa, dura, pesada, com um agradável cheiro. mas de pouca longevidade.
Esta planta reconhece-se facilmente pelo cheiro característico quando se maceram as folhas.O seu aroma levou o homem a espalhar o loureiro por toda a Bacia Mediterrânica, não se sabendo hoje ao certo, qual a sua zona de origem.
Propriedades:
Medicinais: digestiva, tratamento de bronquites, gripes e constipações. Possui propriedades anticancerígenas, antissépticas, adstringentes, carminativas, diuréticas, eméticas (induz o vómito), tonifica o estômago, estimula o apetite e a secreção de sucos digestivos. Quando consumida em doses elevadas apresenta propriedades narcóticas e é emenagogo (favorece a menstruação). O óleo do fruto é usado externamente para tratar entorses e hematomas; e o óleo das folhas tem propriedades narcóticas, fungícidas e antibacterianas.
Culinárias: aromatizar diversas sopas, doces e pratos de carne. De aroma doce e balsâmico, ressalta as notas da noz-moscada, da cânfora e proporciona uma adstringência refrescante. O louro é o ingrediente que nunca falta na cozinha portuguesa, sendo perfeito para caldos, guisados, todos os tipos de carne e também arroz. Combina com manjerona, salva, segurelha e tomilho.
Na Grécia Antiga, as coroas confeccionadas com ramos de louro eram o símbolo da vitória para os atletas e heróis nacionais, consagradas a Apolo. Esse costume também foi herdado por Roma, na época dos Césares. Por isso, o termo laureado deriva justamente do género Laurus.
A medicina popular indica o chá das suas folhas em caso de problemas com a digestão.
Vou mas é cortar mais um raminho de louro para pendurar atrás da porta da cozinha...

Confesso que também não conhecia, mas uma vizinha ofereceu-me um pé de serpão para plantar, dando-me a conhecer esta aromática. Ao que parece, é muito utilizada e conhecida nas regiões beirãs, sendo muitas vezes confundida com o vulgar tomilho. Segundo me ditou a vizinha Rosa, é bastante utilizada para condimentar pratos de carne, sobretudo o cabrito e o borrego.
Nome científico: Thymus serpyllum - L.
Nome comum: serpão, tomilho selvagem, serpilho, serpol...
Da família das Labiadas, esta espécie de tomilho selvagem é originária de toda a Europa, inclusivamente da Grã-Bretanha, Suécia, Hungria e Roménia.
Trata-se de uma erva aromática sempre verdejante, normalmente rasteira, embora possa crescer até uma altura de 30 cm. É resistente ao frio e floresce na primavera. É importante como planta atraente de insectos polinizadores. É também muito utilizada em jardins rochosos como planta ornamental.
Na culinária, as suas folhas são utilizadas em saladas ou como tempero de alguns pratos de carne, como já mencionámos. A infusão das suas folhas produz, da mesma forma, um chá bastante apetitoso.
Do ponto de vista medicinal, esta erva possui propriedades antisépticas, sendo benéfica para o sistema digestivo, inclusivamente no combate a afecções da boca. É muito utilizada no tratamento de doenças respiratórias, como a bronquite, devido ao seu efeito expectorante. A evidência demonstra que possui efeitos positivos no alívio de dores menstruais, cólicas, dores reumáticas e no tratamento do alcoolismo. Contudo, deve ser evitado o seu consumo durante a gravidez.
O óleo essencial extraído das folhas e das inflorescências do serpão é sobejamente utilizado na indústria perfumista. As suas flores são utilizadas para repelirem as traças da roupas.
Sabendo tudo isto, diga lá se não vale a pena ter um pé de serpão na sua horta ou jardim?
Nestes dias frios e chuvosos, neste Janeiro invernal, sabe bem uma quente chávena de chá de cidreira! Mas não é daquele chá que se vende em saquetas, desprovido de qualquer aroma. O melhor mesmo é ir à horta, ou ao jardim, e colher umas 3 ou 4 folhas frescas, lavá-las e com elas preparar a infusão. Há quem seque primeiro as folhas e só depois as utilize. Contudo, a minha experiência comprova que as folhas frescas são mais aromáticas.
Aquilo a que comumente chamamos erva cidreira e que, muitas vezes, nasce como uma erva quase bravia nos campos, é cientificamente denominada de Melissa Officinalis. Pertence à mesma família da hortelã, como comprovam as suas paresenças.
A erva cidreira é considerada calmante e é utilizada desde a Idade Média para reduzir o stress e a ansiedade, como panaceia contra a insónia, para abrir o apetite e para auxiliar a digestão. Já antes, esta planta era utilizada para limpar feridas e picadas de insectos. Actualmente, é combinada com outras plantas, como a valeriana ou a camomila, para promover o relaxamento, através da infusões.
Nativa da Europa, a cidreira encontra-se disseminada por todo o mundo. Na primavera e no verão, florescem pequenas flores amarelas nas axilas das folhas, importantes na atracção de abelhas e de outros polinizadores. Se esfregarmos os dedos nas folhas desta planta, eles ficarão com um aroma limonado e tão prazenteiro, que só pode ser saudável.
Vá beber um cházinho, mas com cidreira da sua horta. Não admita imitações de marcas conhecidas, em saquinhos... É mais barato e mais saudável!
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