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Local, em português, de troca de ideias e de experiências, no âmbito da horticultura, jardinagem, cozinha saudável, animais.... Enfim, tudo de bom que faz parte da vida.... Junte-se a nós!

O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta vivaz, cujo rizoma já é incontornável na nossa alimentação. Oriunda da Ásia, esta planta de elegante folhagem necessita de um clima tropical para prosperar. Os rizomas são normalmente colhidos quando os ramos da planta secam.
Do ponto de vista culinário, esta especiaria de paladar picante e adocicado, é utilizada fresca em saladas, molhos e pratos orientais. Seca e reduzida a pó, pode ser utilizada na aromatização de purés, caris, bebidas, sopas, bolos, massas ou biscoitos.
É, contudo, do ponto de vista medicinal, que esta planta se evidencia. O gengibre é utilizado há mais de 2500 anos pela medicina chinesa e pela medicina indiana. A raiz é doce e pungente. O aquecimento interior que proporciona torna-a expectorante, aumentando a transpiração. A planta melhora a função digestiva e o fígado, controla náuseas, vómitos e tosse. Estimula, ainda, a circulação, relaxa espasmos e alivia a dor. É uma planta incontornável para o tratamento das constipações, gripe e problemas circulatórios periféricos. Externamente, a raiz é utilizada para tratar a dor, reumatismo, dores lombares e menstruais.
Para além destas virtudes terapêuticas, o gengibre é, ainda, considerado um afrodisíaco, sendo útil no tratamento da fadiga sexual e da astenia. Por todos este motivos, não passe mais um dia sem uma raiz de gengibre em casa. O seu corpo agradece!

No meu jardim tenho um grande pé de Lúcia-Lima (Aloysia citriodora; Lippia citrodora). Adoro, pelo cheiro e pelo seu valioso chá. Esta planta assume vários nomes. É chamada de Bela-Luísa, Doce-Lima ou Erva-Luísa. Eu por cá chamo Lúcia-Lima! É uma planta medicinal, com origem na América Latina, proveniente de países como o Brasil, Perú, Argentina ou Chile.
Durante o século XVIII, esta planta foi levada para a Europa devido à sua intensa fragrância alimonada. É excelente o aroma da Lúcia-Lima que chegou, também, a Portugal e agora há um pé que se derrama no meu jardim.
Mas esta é, também, uma planta medicinal. A Lúcia-Lima é milagrosa devido às suas propriedades relaxantes e digestivas. A planta tem uma acção sedativa suave e retira o desconforto abdominal após uma refeição mais pesada. Tem um efeito levemente tónico sobre o sistema nervoso e ajuda contra a depressão. As folhas e as partes superiores floridas são, ainda, antiespasmódicas e antipiréticas.
Um chá feito a partir das folhas tem um delicioso sabor a limão refrescante e é utilizado principalmente no tratamento de distúrbios digestivos, tais como flatulência, indigestão e acidez . A erva também é útil como um estimulante para o tratamento de letargia e para tratar constipações. O óleo essencial é usado em aromaterapia no tratamento de problemas nervosos e digestivos e também para acne, furúnculos e cistos.
Se tem um quadradinho de terra onde possa plantar uma Lúcia-Lima, não olhe para trás. Vai ver que não se arrepende...!

As ervas aromáticas são preponderantes para a nossa saúde e a nossa alimentação. Para podermos usufruir delas durante todo o ano, devemos saber conservá-las da melhor forma. A este nível, a secagem revela-se o método mais eficaz de conservação. Aqui vão algumas dicas:
- As ervas devem ser colhidas de manhã cedo, antes de o Sol nascer;
- Após a colheita, as ervas devem ser lavadas e, posteriormente, secas com uma toalha de papel;
- Em alternativa, as ervas podem ser espalhadas num tabuleiro, e colocadas no forno a 130ºc;
- Da mesma forma, as ervas podem ser separadas em ramos mais pequenos e penduradas pelos pés numa divisão quente e seca;
- Por fim, esmagam-se as ervas secas e guardam-se em recipientes fechados, num local fresco.


Como pode ver, é muito fácil ter sempre à mão as suas próprias aromáticas, sem ter de recorrer às opções menos saudáveis, cheias de corantes e conservantes, que encontramos nos supermercados. Esta opção é mais barata, mais saudável e muito mais saborosa! Experimente e não se arrependerá...

Alecrim, alecrim doirado que nasce no monte sem ser semeado,
Ai meu amor quem te disse a ti, que a flor do monte era o alecrim?
Alecrim, alecrim aos molhos, por causa de ti choram os meus olhos...
Estas cantilenas populares atestam o poder do alecrim na cultura do povo português. Mais do que uma aromática, o alecrim é uma planta medicinal e até decorativa, enfeitando andores e até mesmo o chão durante festas e romarias.
Originário da região mediterrânica, o alecrim (Rosmarinus officinalis) é um arbusto rústico e persistente, com folhas verdes-escuras, semelhantes às agulhas de um pinheiro. O período de floração vai de Março a Outubro.
Os ramos de alecrim podem ser colhidos todo o ano, mas é preferencial colher antes da floração. Como as folhas secas conservam o seu aroma, podem sercar-se os ramos e os galhos.
Na Culinária....
O seu sabor picante combina como uma enorme variedade de pratos. Pode ser utilizado para aromatizar pratos de peixe e carne, queijos, manteigas, legumes, batatas, pães. Pode ser, ainda, utilizado em infusão, para beber. Para aromatizar uma limonada é, também, muito utilizado.
Mantém os Insectos à Distância....
Se colocar raminhos de alecrim a queimar junto ao seu churrasco, os insectos não se aproximarão. Para além de imprimir um excelente aroma ao espaço circundante...
Propriedades Medicinais:
- Tónico: excelente para quem se sente cansado, mental e fisicamente, deprimido ou nervoso;
- Anti-Séptico;
- Anti-Inflamatório;
- Estimulante do Sistema Nervoso: o alecrim é um estimulante da circulação sanguínea ao cérebro, prevenindo e reduzindo os efeitos nefastos de doenças, como o Alzheimer;
- Dores de Cabeça: Friccionado na testa, alivia as dores de cabeça;
- Saúde da Pele e Cabelo: O alecrim activa a circulação sanguínea e tonifica e limpa a pele, em profundidade.
Bom, por todas estas razões vale a pena ir ao campo colher um raminho de alecrim...

As ervas aromáticas podem acrescentar muito sabor às sopas que confeccionamos no dia a dia. A sopa, como sabemos, é um alimento essencial. Não devemos deixar de comer pelo menos um prato por dia. Contudo, podemos acrescentar mais sabor a este prato tão português.
As aromáticas podem ser picadas ou cortadas fininhas, ou então acrescentar-se uma folha inteira ou um pequeno raminho, conforme o gosto. Eu prefiro acrescentar uma folhinha inteira! As ervas utilizadas variam de acordo com o tipo de sopa que temos à nossa frente. Assim:
- Sopas de Peixe e Cremes: Salva;
- Canja, Sopas de Feijão, Sopas de Couve Portuguesa: Hortelã;
- Sopa de Feijão Verde: Segurelha;
- Consommés, Sopas de Cogumelos, Sopas de Tomate: Estragão;
- Sopas de Peixe, Sopas de Carne e Sopas de Beterraba: Tomilho;
- Sopas de Peixe: Agrião;
- Sopas de Couve-Flor, Sopas de Ervilhas, Sopas de Espinafres: Alecrim.
Outras guarnições se podem juntar às sopas, como cubinhos de pão frito, iogurte, natas, ou até pedacinhos de bacon nas sopas de legumes. Contudo, nada é melhor e mais saudável do que uma simples aromática para dar sabor às belas sopas portuguesas.

A salsa (Petroselinum hortense), que abunda nas nossas hortas, tem efeitos para a saúde que nunca nos passaram pela cabeça... É verdade! A salsa é uma erva aromática, da família das Umbelíferas, originária do Oriente. É uma hortícola rústica, difundida por toda a Europa, e adapta-se a qualquer receita de carne, peixe, ovos e legumes, realçando-lhes o sabor.
Contudo, a salsa é, também, rica em vitamina C e sais minerais, como o magnésio, com vários efeitos na nossa saúde. A saber:
- Importante para combater o stress;
- É um potente diurético - ajuda a atenuar edemas e casos de retenção de líquidos;
- Auxilia no emagrecimento, reduzindo a retenção de líquidos (através do seu chá);
- Resolve perturbações digestivas, como a flatulência e cólicas (utilizando as sementes);
- Atenua picadas de insectos (utilizando as folhas);
- Estimula o ciclo menstrual (o óleo essencial)
- Amacia o cabelo (através do chá).
CHÁ DE SALSA (Como fazer?)
- Lave um molho de salsa e pique-o bem.
- Ferva cerca de meio litro àgua, com a salsa no seu interior, durante cerca de 5 minutos.
- Deixe repousar 10 minutos.
- Deve beber 2x por dia, durante uma semana.
- ATENÇÃO: as mulheres grávidas não devem beber este chá, pois tem propriedades abortivas.
Uma erva aromática que já faz parte da nossa cultura, de todos nós...!

Estão a chegar os Santos Populares, e o manjerico é rei nesta quadra. De odor inebriante, esta planta aromática esconde propriedades inigualáveis, quer como tempero, quer como planta medicinal. Vamos saber mais:
MANJERICO - Ocimum minimum L.
Família: Labiatae
Habitats: O seu habitat original é desconhecido.
Planta de caule pubescente, finamente estriado, quadrado, ramoso, verde-claro; folhas ovadas, verde-claras, com cheiro intenso (quando tocadas); flor em fascículos, aromáticas. É anual e as flores são hermafroditas, polinizadas pelas abelhas.
As flores e as folhas podem ser cozinhadas, utilizadas como aromáticas ou como verduras, são essenciais no acompanhamento de pratos com tomate. As folhas são normalmente utilizadas frescas e são óptimas para saladas ou para a confecção de um delicioso chá. As sementes também podem ser consumidas. Adicionadas à agua fazem uma deliciosa bebida famosa na zona mediterrânica, o "sherbet tokhum".
Do ponto de vista medicinal, o manjerico é utilizado no tratamento da flatulência. É também eficaz no tratamento da febre, problemas digestivos, insónia, depressão e exaustão. Externamente, é utilizado no tratamento do acne e infecções cutâneas.
O seu óleo essencial é utilizado na perfumaria e nos dentifricos. É da mesma forma, um bom repelente de mosquitos.
Veja só o que o seu manjerico pode fazer por si. Que o diga Santo António!

Na minha casa não pode faltar umas folhinas de louro para temperar alguns pratos da cozinha tradicional portuguesa. O sabor do louro é tão agradável, especialmente em pratos de carne, que já se tornou imprescindível. Por tal, a minha curiosidade sobre esta planta recrudesceu. Vamos saber um pouco mais sobre ela:
Nome científico: Laurus nobilis - L.
Nome comum: Louro, Loureiro
Família: Lauráceas
O loureiro é chamado "árvore de plena luz", característico do clima mediterrâneo, existe nesta área até à Asia Menor. Teme o frio e não vai além dos 800 m de altitude. Embora pouco exigente quanto ao tipo de solo prefere-os leves e frescos, mas é comum em solos secos e mesmo pedregosos. Propaga-se por semente e rebenta bem pela touça e raízes.Vive cerca de 80 a 100 anos.
É uma planta muito ornamental e aromática. As suas flores também são perfumadas, mas são as folhas que são utilizadas como condimento. Produz uma madeira branco-rosa, dura, pesada, com um agradável cheiro. mas de pouca longevidade.
Esta planta reconhece-se facilmente pelo cheiro característico quando se maceram as folhas.O seu aroma levou o homem a espalhar o loureiro por toda a Bacia Mediterrânica, não se sabendo hoje ao certo, qual a sua zona de origem.
Propriedades:
Medicinais: digestiva, tratamento de bronquites, gripes e constipações. Possui propriedades anticancerígenas, antissépticas, adstringentes, carminativas, diuréticas, eméticas (induz o vómito), tonifica o estômago, estimula o apetite e a secreção de sucos digestivos. Quando consumida em doses elevadas apresenta propriedades narcóticas e é emenagogo (favorece a menstruação). O óleo do fruto é usado externamente para tratar entorses e hematomas; e o óleo das folhas tem propriedades narcóticas, fungícidas e antibacterianas.
Culinárias: aromatizar diversas sopas, doces e pratos de carne. De aroma doce e balsâmico, ressalta as notas da noz-moscada, da cânfora e proporciona uma adstringência refrescante. O louro é o ingrediente que nunca falta na cozinha portuguesa, sendo perfeito para caldos, guisados, todos os tipos de carne e também arroz. Combina com manjerona, salva, segurelha e tomilho.
Na Grécia Antiga, as coroas confeccionadas com ramos de louro eram o símbolo da vitória para os atletas e heróis nacionais, consagradas a Apolo. Esse costume também foi herdado por Roma, na época dos Césares. Por isso, o termo laureado deriva justamente do género Laurus.
A medicina popular indica o chá das suas folhas em caso de problemas com a digestão.
Vou mas é cortar mais um raminho de louro para pendurar atrás da porta da cozinha...

Num recanto do meu jardim, já vejo despontar pequenas folhinhas a partir dos bolbos que plantei em meados de Dezembro. Os Crocus começam a nascer, anunciando que, em breve, o inverno dará lugar à primavera e ao tempo bom. Estas pequenas flores, de várias cores, são óptimas para alegrarem os nossos jardins, quando são ainda as únicas testemunhas da beleza nos últimos dias de inverno.
Vamos conhecer um pouco mais sobre os Crócus:
Nome científico: Crocus sativus - L.
Nome comum: Crocus, açafrão, saffron (inglês)
Família: Iridaceae
Embora seja desta flor que se recolhe o açafrão, as variedades que possuímos nos nossos jardins nem sempre estão aptas para a sua recolha. Aliàs, não aconselhamos a recolha desta especiaria por mãos inábeis, atentando ao facto de que, esta planta, em quantidades excessivas, poderá tornar-se tóxica e levar à morte.
Não se conhece o seu habitat natural, embora esta planta seja encontrada em todo o sul da Europa, desde a Grécia à Ásia ocidental. Contudo, é uma planta resistente ao frio, podendo crescer numa meia-sombra, embora prefira uma exposição solar plena.
Para além da sua utilização na culinária, como especiaria, os estigmas do Crocus são também fonte de um corante, utilizado durante séculos, para colorir de amarelo as roupas de alguns indianos. Das suas flores é também obtido um corante azul ou verde.
Vale a pena fazer um canteiro ou uma bordadura com estas flores, belas para contemplar...
Ainda há poucos dias comprei um saco cheio de bolbos de cebolinho, que plantei e já estão a nascer. Gosto muito desta aromática, especialmente para temperar omeletes e ovos mexidos, em muito devido ao seu forte aroma a cebola.
Nome científico: Allium schoenoprasum
Nome comum: cebolinho (em Portugal), cebolinha ou cebolinha-francesa (no Brasil) ou chives (nos países anglo-saxónicos)
Da família dos alhos, esta planta é nativa da Europa, podendo encontrar-se ainda nos Himalaias e no Japão. Trata-se de uma planta bolbosa, resistente ao frio. É uma planta vivaz que se desenvolve em tufos muito densos. Apresenta folhas verde-escuras, roliças, que atingem no máximo 30 cm de altura. Em junho, cobrem-se de flores rosa-pálido, semelhantes a pompons. Estas flores devem ser imediatamente retiradas para que as novas folhas possam rebentar. As folhas frescas têm um agradável e suave sabor parecido com o da cebola, sendo especialmente utilizadas cruas em saladas, em pastas de queijo fresco e também em pratos de ovos e queijo.
Toda a planta possui um efeito benéfico sobre o sistema digestivo e sobre a circulação sanguínea, possuindo efeitos hipotensores. Melhora o apetite e as suas folhas são utilizadas como repelente.
É tão fácil cultivar cebolinho que é um pecado não ter em casa...
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