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Local, em português, de troca de ideias e de experiências, no âmbito da horticultura, jardinagem, cozinha saudável, animais.... Enfim, tudo de bom que faz parte da vida.... Junte-se a nós!
Numa estival tarde de Domingo aventurei-me a visitar um espaço ao qual não regressava há muito: o jardim botânico da Escola Politécnica. Na verdade, tinha fugazes lembranças da minha infância, quando andava na Escola Secundária Veiga Beirão, ali no largo do Carmo, e fugia para passear à sombra daquelas àrvores, grandes e belas, quando ainda era possível entrar e sair daquele local livremente! Nesse tempo, o jardim andava belo e bastante cuidado, sendo possível percorrer os seus meandros sem qualquer dificuldade. Qual não foi o meu espanto quando regressei, talvez passados 15 anos, e deparei com a imagem de decadência que agora transparece. Lembre-se que a criação do Jardim Botânico foi iniciada em 1837 e levada a cabo pelo primeiro jardineiro chefe, Edmund Goez, tendo como objectivo o de difundir o conhecimento botânico.
Fig: A decadência do mobiliário urbano
O mesmo espaço, volvidos 172 anos, um dos postais de Lisboa, inserido na maioria dos roteiros turísticos da capital, não passa, agora, de um jardim moribundo! Entregue aos cuidados da Universidade de Lisboa, cada vez mais preocupada com o sufoco financeiro em que sobrevive, o horto parece estar abandonado à sua própria sorte. O único funcionário que se vê é aquele que cobra as entradas, preços simbólicos, com um ar tão desanimado como a própria instituição! Jardineiros, nem vê-los! Esta ausência explica, quiçá, as ervas daninhas que invadem os canteiros onde haviam simplesmente de existir flores, a sede que certas plantas denotam, especialmente as hortênsias que clamam impiedosamente por água...
Fig: Um canteiro inundado de ervas daninhas...
Nas estufas que estão abertas ao público, os turistas que afluem àquele local, que na verdade são uma quantidade bastante considerável, podem observar vidros partidos e exposições deploráveis, com muitos anos de idade... O restante equipamento também pede por socorro, essencialmente o observatório astronómico, cuja cúpula parece ser pasto de ferrugem..
Fig: Fachada decadente do Laboratório astronómico
Os caminhos do jardim estão num estado miserável, sem falar da existência de lagos e cascatas que morrem de secura! Por este motivo e compreendendo as dificuldades financeiras pelas quais a Universidade de Lisboa está a passar, seria interessante organizar um movimento de cidadãos, de forma a arranjarmos soluções para não deixar morrer este recanto tão belo e ecológico da capital.
Fig: Os vidros partidos da estufa
Se o Estado não consegue cuidar do nosso património, tão rico e diversificado, terá de ser a sociedade civil a levantar a sua voz e a tentar arranjar alternativas. Ao deixar o património ao abandono, estamos a deixar morrer Portugal... Este blog pretende ser, pois, uma voz activa na denuncia destas atrocidades para que as autoridades competentes tomem as rédeas da situação. Pelo jardim botânico, pelo turismo de Portugal e por todos nós...
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